RESULTADOS E PERSPECTIVAS

Do ponto de vista de gestão e recuperação ambiental tem-se, por exemplo, o estabelecimento de critérios, metodologias e mecanismos para a recuperação do trecho do rio São Francisco na região de Três Marias, trazendo novas perspectivas para a recuperação de sedimentos contaminados em grandes rios. Os ensaios de ecotoxicidade com espécies nativas levaram a avanços metodológicos e científicos. Ferramentas analíticas foram aplicadas para uma compreensão abrangente dos riscos potenciais relacionados aos elementos traço em área de mineração de ouro.

Com relação aos processos e produtos, destacam-se o desenvolvimento de um processo de recuperação de cianeto (patentes requeridas); resultados promissores foram obtidos para a bioacumulação de arsênio utilizando cianobactérias. Os estudos sobre a influência de impurezas no processo de eletrorecuperação de zinco deverão contribuir para a redução do consumo de energia nos processos industriais. Nanocompósitos de argila e materiais magnéticos funcionalizados foram desenvolvidos para a decomposição, remoção e imobilização de contaminantes inorgânicos e orgânicos. O problema de drenagem ácida de rocha em regiões mineradoras foi investigado em profundidade; processos para a neutralização da acidez e remoção de contaminantes foram estabelecidos. Métodos alternativos e promissores, como uso de escória de siderurgia e o uso de macrófitas flutuantes para a fitorremediação, foram avaliados. A combinação da modelagem molecular teórica e experimental, utilizando, por exemplo, a radiação síncrotron, levou a avanços no entendimento de reações de extração de metais (e.g. de minérios sulfetados de cobre e de minérios de ouro-cobre), de fixação de contaminantes (cianeto, arsênio e corantes), e de especiação biológica de arsênio usando cianobactérias.

A interação com o setor industrial e com a comunidade internacional foi construída por meio de parcerias e colaborações efetivas com empresas-âncora, como Kinross, Votorantim Metais, e INB / CNEN em projetos de pesquisa de caráter transdisciplinar. O projeto AMIRA trouxe o apoio de 11 empresas globais para grupos de pesquisa do Canadá, EUA, Austrália e Brasil. O volume expressivo de recursos do setor privado atesta o reconhecimento do grupo. A assinatura do acordo FAPEMIG-QUEENSLAND de US$ 2 milhões, para projetos de pesquisa, e de US $ 1 milhão (FAPEMIG), para implantação de um laboratório mineral avançado, merecem destaque.

A colaboração com o Geopark Quadrilátero Ferrífero e com o Pólo de Excelência Minero-metalúrgico, culminou com a criação do Centro de Referência e Qualificação para a sustentabilidade da região do Alto Paraopeba (CESUP), em Minas Gerais.

Projetos de pós-graduação que envolvem colaboração com empresas e com o exterior também devem ser ressaltados. Pesquisadores visitantes ofereceram vários cursos e estabeleceram colaboração com pesquisadores brasileiros. Palestras e workshops foram oferecidos para professores de escolas públicas primárias e materiais didático-pedagógicos foram distribuídos. Em parceria com a BHTrans, o projeto "Viajar com o Meio Ambiente" produziu textos científicos distribuídos em linhas de ônibus da cidade de BH. Um ônibus especialmente projetado "Aquamundo" viaja pelos Estados de SP e MG, oferecendo imagens interativas sobre questões relacionadas à água e à biodiversidade ao público em geral, alunos e professores.